Mianmar quer pena de morte para golpes online

Mianmar quer pena de morte para golpes online

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Mianmar quer pena de morte para chefes de “fábricas” de golpes online

 
O avanço das fraudes digitais no mundo está levando alguns países a discutirem medidas cada vez mais radicais. Em Mianmar, no sudeste asiático, um novo projeto de lei apresentado pelo governo propõe pena de morte para líderes de centros de golpes online que utilizam sequestro, tortura e trabalho forçado para operar esquemas fraudulentos pela internet.

A proposta foi apresentada pelo novo governo liderado pelo general Min Aung Hlaing e mira principalmente as chamadas “fábricas de golpes” — verdadeiras centrais industriais de fraude digital que cresceram rapidamente durante a guerra civil no país.
 

O que são as “fábricas” de golpes?

Esses centros clandestinos funcionam como empresas criminosas altamente organizadas. Pessoas de vários países são atraídas por falsas ofertas de emprego e acabam sequestradas, tendo seus passaportes confiscados e sendo obrigadas a aplicar golpes online em vítimas do mundo inteiro.

As fraudes incluem:

  • golpes românticos;
  • falsas plataformas de investimento;
  • esquemas com criptomoedas;
  • anúncios falsos em redes sociais;
  • extorsões digitais.

Segundo relatos de vítimas, os trabalhadores dessas centrais chegam a cumprir jornadas superiores a 20 horas por dia e sofrem espancamentos, choques elétricos e ameaças constantes caso não atinjam metas de golpes aplicados.
 

Projeto prevê prisão perpétua e pena capital

O texto apresentado em Mianmar prevê pena de morte para casos envolvendo:

  • sequestro;
  • cárcere privado;
  • tortura;
  • coerção para prática de golpes online.

Já os administradores das operações e envolvidos em grandes fraudes com criptomoedas poderiam receber prisão perpétua.

O projeto deve ser votado nas próximas semanas.
 

Um mercado bilionário de fraudes

As chamadas “fábricas de golpes” movimentam cifras gigantescas. Dados citados pela imprensa internacional apontam que os centros criminosos sediados em Mianmar teriam gerado mais de US$ 20 bilhões apenas no último ano.

Outras estimativas mencionam números ainda maiores quando considerados os esquemas espalhados pelo sudeste asiático, envolvendo países como Camboja, Tailândia e Laos.

A ONU estima que dezenas de milhares de pessoas tenham sido forçadas a trabalhar nessas operações criminosas nos últimos anos.
 

O debate inevitável

Mesmo quem rejeita a pena de morte dificilmente consegue ignorar a dimensão brutal dessas operações, que misturam:

  • tráfico humano;
  • escravidão moderna;
  • tortura;
  • lavagem de dinheiro;
  • fraudes globais em larga escala.

No Blogueiros do Brasil, tenho defendido que o governo brasileiro precisa finalmente tratar os golpes virtuais como um problema sério de segurança e defesa do consumidor. Hoje, criminosos atuam com enorme facilidade em anúncios nas redes sociais, marketplaces e aplicativos de mensagem, enquanto milhões de brasileiros seguem expostos a fraudes diárias praticamente sem proteção efetiva.
 

Fontes


TecMundo — País da Ásia propõe pena de morte para chefes de fábricas de golpes online

TecMundo — Brasileiros são escravizados e forçados a aplicar golpes online na Ásia

 
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