Por que o Congresso regula tudo, menos as fraudes que tiram dinheiro do bolso do povo?
O apetite regulatório some quando o assunto são os anúncios golpistas no Instagram, Facebook e Youtube
É impressionante o contraste. O Congresso Nacional demonstra enorme apetite regulatório para temas ideológicos, armas, educação, tributos, redes sociais por viés político e praticamente todos os aspectos da vida dos brasileiros.
Mas quando o assunto é fraudes cotidianas de consumo digital — anúncios no Instagram, Facebook, Youtube e outras redes que levam a produtos que nunca chegam —, o ímpeto regulatório desaparece magicamente.
Por quê?
Existem várias razões, mas duas merecem destaque:
- Lobby intenso das big techs
Meta (dona do Facebook e Instagram), Google e outras plataformas mantêm uma estrutura profissional de lobismo em Brasília, com encontros frequentes, contratação de ex-parlamentares e forte atuação para suavizar ou barrar projetos que aumentem sua responsabilidade por anúncios fraudulentos. - Falta de retorno eleitoral
O problema é massivo, mas silencioso. Cada vítima sofre sozinha. Não gera passeata, não vira manchete diária e não mobiliza multidões, por isso recebe baixa prioridade dos parlamentares.
O PL 3451/2025, desidratado durante a tramitação, é apenas o exemplo mais recente dessa inação seletiva. Enquanto isso, as big techs lucram com os anúncios, os golpistas atuam com tranquilidade e o consumidor brasileiro — especialmente os mais simples — segue desprotegido.
Está mais do que na hora de cobrar dos nossos representantes uma defesa séria do consumidor comum. Não podemos aceitar que o Congresso seja rigoroso com tudo, menos com o que realmente sangra o bolso do povo.
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