A colheita amarga da Madeleine Lacsko: quando o “monstro” criado em 2019 resolve morder quem o alimentou
Madeleine Lacsko, jornalista do Antagonista, acordou esta semana com uma notificação oficial do X (antigo Twitter) informando que a deputada Erika Hilton e a Advocacia-Geral da União pediram a remoção de um de seus posts. Segundo ela, é a primeira vez, em 30 anos de carreira, que um governo a obriga a apagar conteúdo sob a bandeira de “combate à misoginia”. Ela promete fazer live em 17/04/2026 sobre a censura.

Não vou defender a censura. Ponto final. Qualquer tentativa de calar jornalistas ou cidadãos por meio de pressão estatal é autoritarismo puro, venha de onde vier — seja do PSOL, da AGU ou de quem for. Liberdade de expressão não é seletiva.
Mas a memória é traiçoeira, e a de Valeria Bernardo (@ValeriaBnews
) está bem viva. No comentário ao post de Lacsko, Valeria foi cirúrgica: “Eu não aprovo o que estão fazendo com você, mas minha memória é viva. É a sua primeira vez? Seja bem vinda! Sabe quantos canais e perfis eu tive derrubados por causa daquela nojeira de CPI das fake news que você e sua turminha ajudaram a fomentar? Experimente do próprio veneno e nem tente fazer de conta que você não tem nada com isso. Cínica.” E ela tem razão.

Em 2019, quando o governo Bolsonaro ainda engatinhava, Madeleine Lacsko e figuras como Felipe Moura Brasil deram combustível — ou pelo menos não fizeram questão de frear — para a narrativa do “Gabinete do Ódio”. A tal CPMI das Fake News, que virou instrumento de perseguição contra influencers, blogueiros, jornalistas e assessores da direita, encontrou eco em reportagens, lives e declarações que pintavam qualquer crítica forte vinda das redes bolsonaristas como ameaça à democracia.
Na época, era “combate à desinformação”. Hoje, quando o mesmo mecanismo é usado contra ela por uma deputada do PSOL, virou “censura”. O PL da Misoginia, que Lacsko agora denuncia como pretexto para calar mulheres, é apenas a continuação lógica daquele mesmo espírito regulador que muitos aplaudiram enquanto o trator passava por cima dos “outros”.
Para completar o quadro, em vídeo recente em seu canal no YouTube, Madeleine confessou abertamente que gosta de participar de treta na internet. Gosta de brigar, de cutucar, de estar no meio do fogo cruzado. Não há problema nenhum nisso — quem está na guerra da opinião pública sabe que rede social não é lugar para flor de lótus. O problema é quando a mesma pessoa que curte a treta reclama amargamente ao sentir o gosto do próprio remédio que ajudou a prescrever para os adversários.
É o clássico “pimenta nos olhos dos outros é refresco”. Quando eram perfis conservadores, páginas bolsonaristas e canais de direita sendo derrubados, silenciados ou investigados, o silêncio ou o apoio velado de parte da imprensa “independente” era ensurdecedor. Agora que o monstro judicial-midiático, criado com a bênção de narrativas sobre “ódio organizado”, resolveu virar a cara para o outro lado, o choro é alto.
Não há prazer em ver Lacsko na mira. O correto seria defender a liberdade dela com a mesma energia que deveria ter sido usada em 2019 para defender a de todos. Mas fingir que isso caiu do céu, como se ela não tivesse contribuído para o ambiente que legitima esse tipo de pressão estatal, é puro cinismo.
A lição é antiga e vale para todos os lados: quem ajuda a construir a guilhotina raramente escolhe quem vai ser o próximo a colocar o pescoço. O autoritarismo não tem lado fixo — ele só muda de vítima conforme quem está no poder.E, pelo visto, a fila anda.
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