A ilusão do “salvador externo” e a eterna vocação periférica imposta ao país
A fantasia brasileira do “pai salvador”
Parte da militância brasileira — à direita e à esquerda — insiste em uma fantasia recorrente:
alguém lá fora vai nos salvar.
Para uns, os Estados Unidos trariam o american way of life em embalagem patriótica.
Para outros, a China apareceria como antídoto ao “imperialismo”, ainda que ao custo de um autoritarismo elegante.
O problema? Nenhuma superpotência está interessada em salvar o Brasil.
Como as superpotências realmente veem o Brasil?
Nem Washington, nem Pequim enxergam o Brasil como projeto civilizacional.
O olhar é mais simples — e mais frio:
- fornecedor de commodities
- economia dependente
- país desindustrializado
- fuga constante de cérebros e capital
- instabilidade política crônica
- baixa autonomia estratégica
Um parceiro funcional, não um concorrente emergente
O Brasil ideal, para ambos, é aquele que não ameaça, não compete e não lidera.
Por que ninguém quer um Brasil industrial e tecnológico?
Porque um Brasil:
- industrializado
- tecnologicamente avançado
- militarmente relevante
não seria um “parceiro”, mas um problema geopolítico.
Potências não criam novas potências.
Criam zonas de dependência.
Bem-estar popular?
Isso é detalhe — quando convém.
O caso Moraes–Trump: a prova viva
O episódio envolvendo Alexandre de Moraes ilustra isso com perfeição.
O que aconteceu?
- Julho de 2025: Trump impõe a Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexabdre de Moraes, vendidas como “defesa da democracia”.
- A direita brasileira vibra: finalmente, validação externa.
- Dezembro de 2025: as sanções são revogadas (VEJA AQUI).
- Sem discurso. Sem drama. Sem princípios.
Por quê?
Porque sanções ideológicas atrapalham:
- o fluxo de commodities
- a estabilidade econômica
- a previsibilidade política mínima
Quando ficam inconvenientes, evaporam.
Os EUA defendem a liberdade no Brasil?
Resposta curta: não.
Resposta honesta: defendem interesses.
Liberdade, democracia e direitos humanos são instrumentos retóricos, não compromissos absolutos.
Quando ajudam, ótimo.
Quando atrapalham, são descartáveis.
Onde a direita erra (de novo)?
A direita brasileira confunde:
- alinhamento com autonomia
- apoio tático com compromisso estratégico
- gesto simbólico com projeto de poder
Resultado?
Desilusão cíclica — e dependência permanente.
Conclusão: nem Washington, nem Pequim
O Brasil não será potência com permissão externa.
E jamais será respeitado enquanto aceitar o papel de fornecedor dócil.
EUA e China não querem um Brasil forte.
Querem um Brasil útil.
Enquanto parte da militância continuar buscando salvadores fora,
o país seguirá exatamente onde interessa às superpotências:
na periferia do mundo — e da história.
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