Por que não houve reação à prisão de Bolsonaro

Por que não houve reação à prisão de Bolsonaro

Opinião

 

 

A prisão preventiva de Jair Bolsonaro, decretada em 22 de novembro de 2025, parecia ter potencial para incendiar as ruas. Em outros momentos, o bolsonarismo mobilizava centenas de milhares em poucas horas. Desta vez, porém, o resultado foi um silêncio ensurdecedor.

A Primeira Turma do STF manteve a prisão por unanimidade — e, mesmo assim, os atos de apoio ao ex-presidente foram pífios. O contraste com o passado é tão grande que se tornou ele próprio uma notícia.

 

Os números da baixa mobilização

As cenas registradas pelo país mostram um bolsonarismo irreconhecível:

  • Brasília (22/11, PF): cerca de 60 pessoas.
  • Rio de Janeiro (23/11): cerca de 60 manifestantes.
  • São Paulo (23/11, Paulista): apenas 6 pessoas no ponto de encontro.
  • João Pessoa (24/11): algumas dezenas.
  • Campina Grande: um único manifestante, acorrentado em protesto solitário.

Até a vigília evangélica convocada às pressas por Flávio Bolsonaro teve confusão interna e baixíssima adesão.

 

Por que isso surpreende tanto?

Porque o contraste histórico é monumental. Em 7 de Setembro de 2021, estimativas falavam em 400 mil a 1,2 milhão só na Avenida Paulista. Em 2023, após o 8 de janeiro, atos pró-Bolsonaro reuniram dezenas de milhares em várias capitais.

Comparado a isso, os pequenos grupos de 2025 parecem irreais.

 

Pergunta 1: O que explica o recuo da base bolsonarista?

Segundo a jornalista Fernanda Salles, parte significativa desse comportamento vem do próprio discurso de Bolsonaro nos últimos anos, que condicionou sua base a:

O resultado? Um ambiente de autocontenção, conformismo e desmobilização emocional.

 

Pergunta 2: Há outros fatores?

Sim. Um ponto frequentemente ignorado: o próprio Bolsonaro obliterou os antigos organizadores de manifestações de direita no Brasil.

Ao centralizar o movimento, romper alianças internas e descartar lideranças, ele eliminou parte das estruturas que antes garantiam grandes atos. Quando finalmente precisou delas, elas já não existiam mais.

 

Pergunta 3: A mobilização bolsonarista acabou?

Ainda não há resposta definitiva. O principal teste será a manifestação nacional marcada para 30 de novembro, em Brasília.

Se os números permanecerem baixos — centenas, talvez alguns milhares — ficará consolidada a impressão de que:

O ciclo das megamanifestações bolsonaristas pode ter chegado ao fim.

Por enquanto, o termômetro das ruas marca apenas temperatura ambiente.

 

 

 
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