Falhas evitáveis transformam saúde pública em risco mortal
Erros médicos no Sistema Único de Saúde (SUS) não são eventos raros nem desvios pontuais. Eles fazem parte de um problema estrutural que custa caro à sociedade: cerca de 55 mil mortes por ano no Brasil estão associadas a falhas evitáveis como diagnósticos equivocados, demora no atendimento e negligência médica. Casos recentes envolvendo crianças, adolescentes e jovens adultos escancaram uma verdade incômoda — o sistema que deveria salvar vidas frequentemente falha em sua função mais básica.
Quando o erro médico deixa de ser exceção
Durante anos, qualquer crítica ao SUS foi tratada como ataque ideológico. Mas a realidade impõe outro debate: quantas mortes seriam evitáveis com gestão eficiente, protocolos rigorosos e responsabilização real?
O problema não é apenas falta de recursos. É desperdício, má administração e ausência de consequências para erros graves.
O Caso Ashley Leppaus: Uma Tragédia Anunciada
Ashley Leppaus tinha apenas 9 anos quando morreu após uma sequência de falhas no atendimento médico. Em outubro de 2025, na cidade de Serra, no Espírito Santo, a mãe da menina Ashley Leppaus procurou atendimento para a filha em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do SUS por três dias consecutivos. Com fortes dores abdominais, Ashley foi inicialmente diagnosticada com gastroenterite, seu quadro piorou drasticamente, evoluindo para uma apendicite rompida e sepse generalizada. Ela faleceu em um hospital estadual, deixando uma família devastada e uma comunidade indignada.
Brenda Cristina Rodrigues: Negligência no Paraná
Em janeiro de 2026, a jovem Brenda Cristina Rodrigues, de 17 anos, morreu em União da Vitória (PR) após buscar atendimento pelo SUS três vezes com sintomas graves, recebendo um diagnóstico de “problemas de ansiedade”. Seu estado agravou-se para uma pneumonia bacteriana avançada, e ela não resistiu, mesmo após transferência para um hospital particular.
Pará: Jovem de 23 Anos e a Investigação Tardia
No Pará, em dezembro de 2025, a morte de um jovem de 23 anos em um hospital municipal levou à abertura de apuração interna pela prefeitura.
A pergunta inevitável é simples e incômoda:
quantas mortes semelhantes nunca chegam sequer a ser investigadas?
Sem transparência e punições exemplares, apurações internas tendem a servir mais para conter desgaste político do que para corrigir falhas estruturais.
Violência Obstétrica no SUS: Negligência Institucional
Entre os exemplos mais graves de erro médico no SUS está a violência obstétrica, uma prática recorrente e amplamente documentada.
Relatos incluem:
- Hemorragias não tratadas
- Falta de sangue para transfusão
- Procedimentos inadequados
- Desprezo por queixas das parturientes
Levantamento citado pela Câmara dos Deputados indica que cerca de 45% das mulheres atendidas no sistema público sofrem algum tipo de negligência, percentual superior ao registrado na rede privada.
Isso não é acaso. É falha sistêmica.
55 Mil Mortes por Ano: Os Números do Colapso
Os dados confirmam o que os casos individuais já demonstram.
- 1,3 milhão de pacientes sofrem efeitos adversos por ano
- 55 mil mortes anuais estão ligadas a erros médicos
- As falhas mais comuns incluem:
- Erros de medicação
- Uso incorreto de equipamentos
- Infecções hospitalares evitáveis
São falhas previsíveis. E, sobretudo, evitáveis.
A Fila do SUS Também Mata
A fila de cirurgias eletivas do SUS cresceu 26% em 2024, ultrapassando 1,3 milhão de pessoas aguardando procedimentos.
Na prática, isso significa:
- Doenças tratáveis que se agravam
- Emergências criadas pela espera
- Mortes que poderiam ser evitadas
Esperar no SUS, muitas vezes, é correr contra o relógio — e perder.
Judicialização Explode com Erros Médicos
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou aumento de 506% nas ações por erro médico em 2024, totalizando 74 mil processos, muitos envolvendo o SUS.
Esse crescimento revela dois fatos:
- Os pacientes estão mais conscientes de seus direitos
- O sistema falha de forma repetida e estrutural
A Justiça virou o último recurso para famílias que já perderam tudo.
Perguntas e Respostas sobre Erros Médicos no SUS
Erro médico no SUS é comum?
Sim. Os números indicam que não se trata de exceção, mas de um problema recorrente.
O SUS mata mais que hospitais privados?
Estudos apontam maior incidência de negligência no sistema público, especialmente em situações de sobrecarga e má gestão.
É possível responsabilizar o Estado?
Sim, mas os processos são longos, custosos e emocionalmente desgastantes.
O problema é só falta de dinheiro?
Não. Falta gestão eficiente, meritocracia e punição para erros graves.
Conclusão: Quando o Estado Erra, Alguém Morre
O SUS não precisa de discursos ideológicos nem de blindagem política. Precisa de eficiência, gestão profissional, transparência e responsabilização.
Enquanto erros médicos forem relativizados e críticas tratadas como tabu, 55 mil brasileiros continuarão morrendo todos os anos por falhas evitáveis.
Na saúde pública, o preço da incompetência não é abstrato.
Ele é pago em vidas humanas.
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